quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ressuscitando a amizade através de Cristo

“Vamos nós também, para morrermos com ele.” João 11.16

Semana passada fui encarregado, por um amigo, a pregar sobre o tema amizade. Confesso que discorrer acerca desta matéria é um desafio para quem se considera um bom amigo, mas que cobra dos demais a mesma quantidade de atenção oferecida. Para começar é importante ressaltar que a primeira prova de uma amizade saudável é entender que cada indivíduo tem seu próprio perfil, seu “time”, seu modo de demonstrar a amizade e que, por conta disso, não se deve exigir que a afeição alheia, por mais que recíproca, seja proporcional a sua.

Antes de analisar o texto da ressurreição de Lázaro, devo destacar dois aspectos importantes: Primeiramente é importante destacar que todos os milagres de Cristo são pedagógicos, ou seja, existe um propósito e esta deliberação NÃO é mostrar poder ou para exibição de quem realiza o milagre (DEUS). Muito pelo contrário. No caso em questão foi ensinar ao povo que “Ele (Cristo) é a ressurreição e a vida” (v.25) e que “tem vida eterna pra todo aquele que “vive e crê N’ele” (v. 26). Em segundo lugar, a MORTE para o filho da Graça (crente) é a maior benção que ele pode receber (veja o que diz o Apóstolo Paulo aos Filipenses “Morrer é lucro viver é Cristo” – 1.21). Os Cristão muito falam sobre a vida eterna, mas se fizermos uma enquête de quantos querem passar para a eternidade, perceberemos que a resposta será sempre a mesma: Ainda está cedo. Logo, a ressurreição de Lázaro só pode ser vista como benção sob o seguinte aspecto: Mesmo ressurreto, Lázaro estaria na presença física de Deus através de CRISTO aqui na terra.

Voltando ao tema. Através da história narrada pelo evangelista João, aprende-se que:

1) Um verdadeiro amigo deve ser capaz de abrir mão de algo importante para ajudar o outro – Repare no verso 6 que Jesus ao decidir ir ao encontro do corpo do amigo, estava arriscando a própria vida, pois os moradores da Judéia procuravam matá-lo, ou seja, colocou a vida em risco para socorrer um amigo, bem como entregou-se a morte de cruz para salvar a tua e a minha.

2) Um verdadeiro amigo semeia o amor e colhe seus frutos – Você já deve ter ouvido muito acerca da lei da semeadura, mas infelizmente de maneira equivocada. Ensinam-nos a “plantar” no Reino através de dízimos e ofertas para colhermos as bênçãos de Deus. Ora, a ciência nos mostra que só plantamos o que tem vida, caso contrário não germina e nem nasce. Experimente plantar uma nota de cem reais num vaso de plantas e veja o que acontece. NADA!

Neste texto, Jesus planta o amor – isso sim deve ser plantado, pois gera vida – ao arriscar a vida pelo amigo e colheu exatamente o mesmo. Observe o verso 16. Tomé convidou os companheiros a saírem e morrer com Cristo na Judéia. Aqui sim se aplica a lei da semeadura.

3) Uma amizade sadia deve ser livre de cobranças – Analisando minha vida e minhas carências, descobri o quanto eu exigia dos meus amigos e como isso era um incômodo para mim, pois estava sempre insatisfeito com a quantidade de tempo a dedicado-me e aos meus poucos, mas bons amigos, pois os sufocava de maneira absurda e demonstrava uma ingratidão a tudo que me faziam de bom. Além disso, é importante destacar que nossos amigos também têm outros amigos que precisam deles de igual modo. Veja a atitude de Marta e Maria ao encontrarem a Jesus, respectivamente v. 20, 21; 32.

4) Amigo que é amigo compadece-se - NA PRÁTICA - com a dor do outro – Sentir pena até os estranhos sentem. As pessoas precisam ser mais práticas e menos teóricas. Amizade é arregaçar as mangas e brigar junto, alegrar junto, sofrer junto, vibrar junto, isto é, chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram. Repare que Jesus perturbou-se ao ver que as pessoas sofriam (v. 33) e sofreu com a perda do amigo (Jesus chorou v.35), por isso, a partir daí realizou o milagre.
Há quem diga que se conhece o verdadeiro amigo na hora em que mais precisamos e ele está lá, mas eu tenho aprendido que na dor até os inimigos se compadecem de nós, pois nos tornamos um espelho para ele, ou seja, ele se projeta e pensa: poderia ter sido comigo... por isso é comum velórios lotados de pessoas que ao menos cumprimentavam parentes do finado. O verdadeiro amigo é reconhecido na hora da bonança. É aquele que vibra quando você compra um carro novo ou arruma um emprego legal. Este é o verdadeiro amigo, do contrário estaria aborrecido pelas tuas conquistas e invejando você.

5) Agora vem a reflexão que mais nos intriga -
· Jesus na pré-ciência sabia que Lázaro estava muito doente e que morreria
· Jesus é avisado a pedido de Marta e Maria
· Jesus fica mais dois dias sabendo que era caso de morte (que Lázaro estava sofrendo e que as irmãs também);
· Jesus fica fora da cidade quando chega em Betânia;
· As irmãs (v. 3), o autor (v. 5) e os Judeus (v. 36) reconhecem que Jesus o ama (Jesus CHORA – v. 35)
Por que então Jesus não se apressou em socorrer seu amigo?

Qualquer indivíduo se julgando um verdadeiro amigo questionaria: que amigo é esse? Mas com Jesus é diferente. Ele está no controle de todas as coisas e, por conta disso, atua em momento oportuno. Se Jesus não atende seus amigos imediatamente não é por falta de amor ou por desconsiderar a dor alheia, mas porque Ele está atuando mesmo antes de ir ao encontro do necessitado. Sua graça já foi derramada. Seu cuidado já está preparado aguardando apenas que os propósitos de nossa dor sejam alcançados. Amigos de Jesus não estão livres de dor, todavia tem a certeza de que Ele virá e nos levará para um lugar de bençãos.

Ah! Lembre-se, “EM TODO TEMPO AME o amigo; e na angustia nasce o irmão” (Pv 17.17), mas é para amar O TEMPO TODO!

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