“E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam”. (Atos 3:2 )
Muito já ouvimos falar sobre esta palavra, por exemplo: sobre a importância de termos a nossa ‘hora nona’; os motivos pelos quais Deus operava através de Pedro e João; sobre as diferentes maneiras de Deus usar seus vocacionados; sobre as formas de Cristo atuar; dentre outros. Todavia, eu gostaria de propor uma reflexão sobre o relacionamento interpessoal apresentado no texto.
I) Alguém socorria este homem (v. 2) - Repare que o homem era levado à porta do templo todos os dias, logo duas perguntas surgem:
a) Quem eram essas pessoas?
- amigos, parentes, bons samaritanos (talvez não crentes)
b) Qual era a intenção destes que o traziam?
- Ajudar, socorrer, aliviar...
Um ensinamento me chama atenção aqui e este é que podemos até ter pessoas que são boas para nós e isso é muito bom. Ter amigos é bíblico! Mas existem momentos em que eles não são suficientes, ao invés disso, não passa de paliativos. Repare que os companheiros do deficiente o colocavam na porta, mas não podiam colocá-lo dentro do templo, pois deficientes – possivelmente – eram proibidos de entrar no local sagrado nos tempos vetero-testamentários. Lembremos do texto de salmos que diz “elevo os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro? O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra.” (121.1,2)
Querido leitor, não espere do homem aquilo que ele não pode te oferecer. Isto evitará que você se decepcione e cobre demais do próximo. Todos temos limitações e precisamos respeitar a restrição alheia, porém isto não impede que você se esmere em levar um caído ao templo do altíssimo (que é a presença de Deus).
II) Os teus companheiros influenciarão no teu estado de ser (v.2 parte final)
Os companheiros do paralítico eram bem intencionados, só isso. Pois a influência deles sobre aquele homem o limitou a pedir esmolas. Este fato bloqueou as perspectivas do necessitado, pois tudo que ele via em sua frente era a possibilidade de receber uma sova. Ao observar o verso 3, notamos que ao avistar Pedro e João, o moribundo não conseguiu ver novas possibilidades, pois sua visão estava ofuscada! Tudo que ele via era a chance de receber uma tunda.
Nesta vida, somos influenciados e influenciamos de alguma forma, portanto, reveja algumas companhias, pois você pode está sendo mais influenciado do que o contrário e, isto determinará o teu estado de ser. Como diz o dito popular, “quem anda com porcos farelos há de comer”.
Procure ser influenciado por Deus. Para isso Ele disponibiliza Sua gloriosa Palavra e seus santos homens e mulheres. Procure relacionar-se com pessoas espirituais (no conceito bíblico do termo). Por que você acha que Pedro e João andavam juntos? Para onde eles estavam indo juntos?
III) Olhe na direção certa (v. 4 e 5)
Quando aquele deficiente físico recebeu o convite para olhar (não é ordem, você olha se quiser), ele continuou com a visão de que iria receber uma esmola. Porém logo lhe caíram as escamas quando lhe fora anunciado ao Cristo. Portanto, tua visão vai determinar o teu futuro. Olhe para Deus através de seu filho Jesus Cristo. Veja Nele o exemplo a ser seguindo; o Deus transformador e o Pai amoroso que nos conduz guiando-nos pela Sua Potente mão. Veja os desafios da vida como apenas mais uma fase a ser ultrapassada e enxergue a possibilidade de fazer novo tudo àquilo que não deu certo até hoje.
Agora, levante-se e ande em direção a novidade de vida, em Cristo e por Cristo. Eternamente!
A insegurança tem sido a marca de muitos ministérios cristãos. É muito comum pastores (de todas as denominações) se cercarem de pessoas menos cultas como forma de garantir a perpetuação do seu status ou poder.
Nas igrejas pentecostais, por exemplo, os líderes utilizam a estratégia do policial bom e o mau, ou seja, a maioria dos pastores presidentes têm como vice um semi-analfabeto, carrancudo e grosseiro que fará o papel do policial mal quando tem que “açoitar” a congregação ou atrocidade parecida. Quando aparece um obreiro carismático, coitado, vai “apanhar” feito uma mula manca. Quem já passou por isso sabe do que estou dizendo.
Eu ainda era um estudante de especialização em docência para o ensino superior, quando me deparei como um tema bastante intrigante na aula de filosofia: Discurso vazio.
O professor José Messias dos Santos, faço questão de citar o nome por ser um excelente acadêmico e pensador, afirmara que discurso vazio é aquele com deficiência de conteúdo. Normalmente nestes casos, o orador fala bastante. Palavras técnicas e pomposas são utilizadas, mas deixa a desejar na profundidade do tema explanado.
Naquele tempo, bem mais jovem, eu já me incomodava com uma lacuna na liderança cristã. Percebia que existia um terrível desencontro entre ortodoxia e a ortopraxia. Os discursos eram tremendamente bibliocêntricos, mas a prática... Bem, a prática nem tanto. Fiz-me valer desta tese filosófica para criar uma síntese sobre o tema com uma visão teológico-cristã, ou seja, discurso vazio é aquele em que discurso e prática se contradizem (o famoso faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço).
A grande questão é que quase uma década se passou e as coisas continuam da mesma forma, quiçá, piores. Alguns líderes contemporâneos insistem em distanciar fé e razão; pregação e vida; sermão e rotina cotidiana. Pregam o amor, mas são incapazes de amar. Agridem, perseguem, maltratam. O mais alarmante são que as alegações para negarem a fé através das ações. Chegam a ser covardes quando afirmam: “Bato” porque te amo (sic), baseando-se no texto que diz que Deus corrige o filho que ama. A diferença está entre o amor divino e o suposto sentimento de quem maltrata aqui na terra. (Estou fora daquele amor. Líderes, que pensam assim, não me amem, por favor!)
Na realidade os líderes têm medo de seus liderados e por isso precisam mostrar poder de algum jeito, mas independente da forma a intenção é humilhá-los. Fazê-los se sentirem um nada e até afirmam: Vocês não são nada! O fazem na suposta iminência de ensiná-los, mas o que criam na verdade são feridas na alma e o pior de tudo, feridas eternas.
Cobram tudo de todos, mas esquecem de fazer a sua parte. Criticam e analisam a vida alheia, mas são incapazes de olhar para seus próprios defeitos e limitações. Seria isso falta de humildade ou incapacidade de uma introspecção verídica?
Bem, o importante desta reflexão é não esquecermos de que a quem estes líderes pregam (Cristo) sempre foi coerente com tudo que fez. Pregava aqui e vivia aqui mesmo o que ensinou. Inclusive, por amor entregou a Sua vida para ser crucificada. Será que os líderes atuais são capazes de tal prática, ou seja, dar a vida pelas suas ovelhas? Ou pelo menos deixar as 99 no aprisco para buscar a solitária perdida?
Lembre-se: Quem ama não agride, ensina. Corrige. Educa!
“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Marcos 16. 17, 18)
Era um culto de domingo. A igreja alegre em Cristo. Uma reunião de adoração maravilhosa e uma pregação empolgante. Como dizem os irmãos pentecostais: o fogo caiu!
Ao findar da mensagem, o orador convidou os irmãos para receberem uma oração à frente do altar quando o sobrenatural aconteceu. Uma mulher cega, que visitava a igreja a convite de um membro local, voltou a enxergar instantaneamente. Bingo! Um Milagre!
O povo de Deus alegre festejava o acontecimento em meio aos gritos de aleluia e glória a Deus, até que o pregador decide fazer a pergunta crucial à senhora que obtivera a grandiosa graça do Pai das Luzes:
- A senhora reconhece a Cristo como teu único e suficiente salvador?
- Não, respondeu a agraciada.
Este é um fato real ocorrido na igreja de um amigo tempo atrás. E a reflexão que fica é: milagres são necessários para salvação? Milagres aumentam a fé? Qual a real necessidade dos sinais e maravilhas?
O show em torno de acontecimentos sobrenaturais tem transformado a igreja atual num verdadeiro espetáculo onde: O altar é o palco; os pastores os animadores; e o povo o auditório. É um verdadeiro Show da Fé. Existem cristãos que pensam que se milagres não acontecem na igreja local Deus não está ali e nem naquele ministério. Ledo engano. O sobrenatural não acontece todos os dias. Caso contrário seria natural. O Deus sempre presente, nem sempre se manifesta de forma transcendental.
Quando analisamos os milagres de Jesus, percebemos que em nenhum momento Ele os fez para glória própria (salvo João 9, quando ele estabelece a razão do fato a glória de Deus), mas todos eles tinham um caráter estritamente pedagógico. Inclusive este, mas vejamos dois outros milagres:
a) Multiplicação dos pães: Quando Jesus multiplica os pães, ele sacia a fome de mais de 5000 homens (fora mulheres e crianças) que o cercava em busca das bençãos e não de Sua Majestosa (apesar de humilde) pessoa. Acontece que após este milagre, Jesus procede com uma homilia tecendo o seguinte comentário: “Eu sou o Pão da vida”, ou seja, vocês comeram do fruto do milagre, mas logo voltarão a ter fome. Alimentem-se de mim e não tornarão a ter fome (e sede de Justiça).
b) Jesus curando um cego: Após curar o cego, Jesus prega a seguinte mensagem: “Eu sou a luz do mudo”, ou seja, você foi curado, viverá alguns anos a mais; a vista voltará a falhar e, certamente, morrerá. Todavia, se receber a mim, terá a luz da vida na eternidade.
A fé também não depende dos milagres. Veja que Jesus nunca colocou o curado num palanque para que ele desse testemunho, como fazem as igrejas contemporâneas. Todavia, Ele preservava a imagem, pois tratava cada um como indivíduo. Jesus não expunha ninguém. A desculpa de que os milagres devem acontecer para gerar fé não é bíblica, pois a fé é dom de Deus (Ef 2.8) e não vem por vista, mas por ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17).
Portanto, contentemo-nos com o incomparável amor do Pai ao entregar seu único filho (Jo 3.16); com a salvação através da Morte e Ressurreição de Cristo; e com a sua preciosa Presença através do Espírito Santo. Os milagres que vierem são dádivas coadjuvantes diante do privilégio de sermos chamados Filhos de Deus, salvos em Cristo Jesus (Jo 1.12).
“Pedis, e não recebeis porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” (Tiago 4.3)
Viver uma vida de oração é a recomendação da maioria dos líderes religiosos. As Escrituras Sagradas registram diversas passagens de incentivo e exemplo de oração de sucesso, mas uma questão é bastante intrigante nesta prática: sendo Deus onisciente, logo conhecedor de todas as coisas, não sabe as necessidades dos santos? E como possuidor do atributo da soberania, não está decidido o que há de acontecer com todos? E quantas outras questões podem ser levantadas sobre a prática da oração.
Na verdade, a soberania de Deus é fato, mas o que não se pode confundir é soberania de Deus com o que os espiritualistas chamam de destino. Quanto a onisciência, Deus conhece sim, não só as necessidades, como todo o Ser Humano e sua complexidade psíquica, biologica, social e espiritual. Então pra que orar? E Como orar?
Primeiramente devemos distinguir a diferença entre oração e petição, mas as igrejas contemporâneas – por não separarem uma coisa da outra – criaram uma receita chamada de campanha. Eu mesmo (outrora) dirigi diversas delas. Tem de todo tipo: Sete semanas, 21 dias de Daniel, Monte da consagração, rosa vermelha, gruta etc. Mas será que isso dá certo? Bem, para encher igreja certamente, mas a motivação não é das melhores. Quem vai a estas campanhas anula a graça de Deus, pois entende que as bençãos do Senhor dependem delas mesmas – pois estão se esforçando ou doando algo ao Senhor e, portanto, o Eterno DEVERÁ retribuí-las (mas isso é tema para outra coluna). A questão é que nem sempre as campanhas funcionam, “caso contrário, as igrejas neopentecostais estariam vazias” (palavras de um amigo, mestre em teologia), pois ao receberem as “vitórias” não voltariam, mas as pessoas são estimuladas a permanecerem “perseverantes” e, assim passam semanas, meses e até anos em busca de uma dádiva.
É fato que às vezes dá certo, todavia muitas vezes não. A percepção contrária se dá ao fato de a publicidade sobre o que dá certo é infinitamente maior que os supostos fracassos. Alguns líderes atribuem o não recebimento a falta de fé (sic), mas o fato está no equivoco da prática da oração.
A graça comum, aquela que vem de Deus a todos os homens, será alcançada por justo e injustos (Mt 5.44, 45), afinal, o sol e a chuva nasceram para todos os homens, independente de cor, raça, credo, e etnia. Isto independe da forma que oramos. É graça, simplesmente GRAÇA!
Não duvidemos que Deus abençoa e continuará abençoando, independente da quantidade de preces que fazemos, mas pela sua infinita graça, soberania e onisciência. A questão é que vida de oração é maravilhosa, e deve ser uma realidade da vida cristã, entretanto a motivação desta prática deve ser bíblica como Jesus ensinou. Oramos e devemos orar SEMPRE, todavia não o fazemos com a finalidade de estabelecermos um SAC celestial, mas para cultivarmos um verdadeiro RELACIONAMENTO com Deus.
Oramos porque AMAMOS a Cristo e não porque PRECISAMOS de algo vindo de Deus. Afinal, ele conhece as nossas necessidades. Então, oremos sem cessar como instruiu Paulo, o Apóstolo dos gentios, aos irmãos de Tessalônica (5.17). Caso ele não atenda as nossas petições, observemos o verso seguinte “em tudo daí graças, pois esta é a vontade de Deus”.