segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Getsemani: Lições no sofrimento do Mestre

Texto base: Lucas 22.39-46

Jesus certamente é o melhor modelo para que vivamos, e bem, nesta vida. No caso do relato do Dr. Lucas, uma das maiores lições é exatamente aquela que está mais esquecida no meio evangélico atual, ou seja, assim como Ele, nós também sofreremos. Isto é fato. Como o Cristo mesmo ressaltou, “tenho-vos dito isto, para que tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33)

Escrever sobre isso não é admitir a falta de fé, ao contrário, é fortalecer-se no Senhor e na força do Seu poder para que possa estar firme nos dias de angústias. É ter paz ao lembrar que o Senhor dos senhores também sofreu e ainda, venceu o sofrimento. Por conta disto, atentemos para as características de quem está sofrendo:

A) Isolamento voluntário – o verso 41 mostra que Jesus “apartou-se dos discípulos cerca de um tiro de pedra”. Normalmente quem está em meio a uma dor aguda tem a tendência a se isolar e isto é ruim, pois é um passo para a doença do século, a depressão. Os discípulos estavam com Cristo, mas Ele preferiu afastar-se dos amigos. Interessante é que normalmente quem está angustiado se afasta, todavia tem a percepção que as pessoas é quem se afastaram.

B) Vontade de desistir dos sonhos – O lado humano de Jesus o fez, mesmo que por milésimos de segundos, declarar ao Pai que “se possível, passe de mim este cálice” (v. 42). O único motivo do Cristo ter vindo a este mundo era morrer pela humanidade, mas em meio ao sofrimento parece que tudo ficou esquecido.

C) A saúde física é afetada pela agonia profunda – No ápice de sua angustia, Jesus suou grandes gotas de sangue (v. 44). Doenças psicossomáticas são uma realidade. Ao somatizar o sofrimento o corpo tende a responder com anomalias. É comprovado pela ciência que um enorme percentual de mulheres que desenvolveram câncer de mama tiveram anteriormente uma grande perda em suas vidas, como por exemplo: Morte de um filho ou a separação no casamento.


:: Ensinos de Jesus para os momentos de dor ::

1. Orar é um exercício espiritual e terapêutico – os versículos 40, 41 e 44 mostram que em meio a grande aflição Jesus orava cada vez mais intensamente. Quem conhece tratamento psicológico sabe que os especialistas ao receberem seus pacientes pedem para que eles falem, e falem muito sobre si. Os terapeutas praticamente se condicionam a ouvir, pois quando os pacientes verbalizam estão iniciando seu tratamento.

A grande questão é que se confunde oração com petição. Antes disso, orar é se relacionar com Deus. É abrir o coração, sem formalidades, àquele que é o melhor terapeuta e amigo do homem. Orar é falar das aflições e das alegrias. É manter a comunhão e o relacionamento íntimo com o Pai Celeste. (
Veja mais sobre oração)


2. Buscar a vontade de Deus é retomar o caminho da felicidade – Ao pensar em desistir dos sonhos, imediatamente Jesus se reporta a Deus e diz: “todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (v.42). Entender a vontade de Deus é voltar às eiras da sublime alegria e a vontade de Deus para o homem é o amor. Ame a si mesmo e ao próximo. Semeie o amor e colheras a cem por um. Quando amamos colhemos os frutos deste amor. Portanto, ame-se, valorize-se, cuide-se, levante-se! A partir daí, ame ao próximo, valorize o irmão, cuide de alguém, levante outrem! Fazendo isso você será muito mais feliz.

3. Buscar a comunhão com os santos é sair do isolamento – “Levantando-se Jesus da Oração, veio para os seus discípulos”. Já dizia a canção: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Volte ao teu convívio social, procure os amigos, procure os irmãos. Saia da inércia. Você não é coitadinho e nem queira ser, senão, análise a origem deste termo: vem de coito!

Sempre existirá alguém com a dor maior que a tua, portanto levante-se, olhe para o lado e verás que poderá, mesmo com toda tua dor, ajudar alguém que está em está pior que o teu. Semeie o amor. Lembre-se que ninguém é tão pobre que não tenha o que dar como ninguém é tão rico que não tenha o que receber. Alguém sofre que perdeu um filho, um conhecido meu perdeu três e mais a casa, num incêndio. Caro leitor, mesmo no momento de sofrimento Jesus se permitia preocupar-se com alguém, veja: “E quando chegou aquele lugar disse-lhes: orai, para que não entreis em tentação”.

Todos os homens sofrerão enquanto estiverem nesta vida. O sol nasceu para justos e injustos, todavia sofrer com Deus é diferente. Ele sempre prepara um anjo para te amparar. O Verso 43 mostra que um anjo esteve todo o tempo ao lado de Jesus para o fortalecer. O anjo do Senhor acampa ao redor dos que o teme e os livra. Ainda que não seja um anjo celeste, Deus coloca anjos – humanos – ao teu lado, dispostos a estenderem as mãos e te dar uma força. Por isso, saia do isolamento. Olhe ao redor e volte imediatamente ao convívio social, pois isto te fará muito bem.


Ah! Lembre-se, “tenho-vos dito isto, para que tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). Para que tenhais PAZ!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ressuscitando a amizade através de Cristo

“Vamos nós também, para morrermos com ele.” João 11.16

Semana passada fui encarregado, por um amigo, a pregar sobre o tema amizade. Confesso que discorrer acerca desta matéria é um desafio para quem se considera um bom amigo, mas que cobra dos demais a mesma quantidade de atenção oferecida. Para começar é importante ressaltar que a primeira prova de uma amizade saudável é entender que cada indivíduo tem seu próprio perfil, seu “time”, seu modo de demonstrar a amizade e que, por conta disso, não se deve exigir que a afeição alheia, por mais que recíproca, seja proporcional a sua.

Antes de analisar o texto da ressurreição de Lázaro, devo destacar dois aspectos importantes: Primeiramente é importante destacar que todos os milagres de Cristo são pedagógicos, ou seja, existe um propósito e esta deliberação NÃO é mostrar poder ou para exibição de quem realiza o milagre (DEUS). Muito pelo contrário. No caso em questão foi ensinar ao povo que “Ele (Cristo) é a ressurreição e a vida” (v.25) e que “tem vida eterna pra todo aquele que “vive e crê N’ele” (v. 26). Em segundo lugar, a MORTE para o filho da Graça (crente) é a maior benção que ele pode receber (veja o que diz o Apóstolo Paulo aos Filipenses “Morrer é lucro viver é Cristo” – 1.21). Os Cristão muito falam sobre a vida eterna, mas se fizermos uma enquête de quantos querem passar para a eternidade, perceberemos que a resposta será sempre a mesma: Ainda está cedo. Logo, a ressurreição de Lázaro só pode ser vista como benção sob o seguinte aspecto: Mesmo ressurreto, Lázaro estaria na presença física de Deus através de CRISTO aqui na terra.

Voltando ao tema. Através da história narrada pelo evangelista João, aprende-se que:

1) Um verdadeiro amigo deve ser capaz de abrir mão de algo importante para ajudar o outro – Repare no verso 6 que Jesus ao decidir ir ao encontro do corpo do amigo, estava arriscando a própria vida, pois os moradores da Judéia procuravam matá-lo, ou seja, colocou a vida em risco para socorrer um amigo, bem como entregou-se a morte de cruz para salvar a tua e a minha.

2) Um verdadeiro amigo semeia o amor e colhe seus frutos – Você já deve ter ouvido muito acerca da lei da semeadura, mas infelizmente de maneira equivocada. Ensinam-nos a “plantar” no Reino através de dízimos e ofertas para colhermos as bênçãos de Deus. Ora, a ciência nos mostra que só plantamos o que tem vida, caso contrário não germina e nem nasce. Experimente plantar uma nota de cem reais num vaso de plantas e veja o que acontece. NADA!

Neste texto, Jesus planta o amor – isso sim deve ser plantado, pois gera vida – ao arriscar a vida pelo amigo e colheu exatamente o mesmo. Observe o verso 16. Tomé convidou os companheiros a saírem e morrer com Cristo na Judéia. Aqui sim se aplica a lei da semeadura.

3) Uma amizade sadia deve ser livre de cobranças – Analisando minha vida e minhas carências, descobri o quanto eu exigia dos meus amigos e como isso era um incômodo para mim, pois estava sempre insatisfeito com a quantidade de tempo a dedicado-me e aos meus poucos, mas bons amigos, pois os sufocava de maneira absurda e demonstrava uma ingratidão a tudo que me faziam de bom. Além disso, é importante destacar que nossos amigos também têm outros amigos que precisam deles de igual modo. Veja a atitude de Marta e Maria ao encontrarem a Jesus, respectivamente v. 20, 21; 32.

4) Amigo que é amigo compadece-se - NA PRÁTICA - com a dor do outro – Sentir pena até os estranhos sentem. As pessoas precisam ser mais práticas e menos teóricas. Amizade é arregaçar as mangas e brigar junto, alegrar junto, sofrer junto, vibrar junto, isto é, chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram. Repare que Jesus perturbou-se ao ver que as pessoas sofriam (v. 33) e sofreu com a perda do amigo (Jesus chorou v.35), por isso, a partir daí realizou o milagre.
Há quem diga que se conhece o verdadeiro amigo na hora em que mais precisamos e ele está lá, mas eu tenho aprendido que na dor até os inimigos se compadecem de nós, pois nos tornamos um espelho para ele, ou seja, ele se projeta e pensa: poderia ter sido comigo... por isso é comum velórios lotados de pessoas que ao menos cumprimentavam parentes do finado. O verdadeiro amigo é reconhecido na hora da bonança. É aquele que vibra quando você compra um carro novo ou arruma um emprego legal. Este é o verdadeiro amigo, do contrário estaria aborrecido pelas tuas conquistas e invejando você.

5) Agora vem a reflexão que mais nos intriga -
· Jesus na pré-ciência sabia que Lázaro estava muito doente e que morreria
· Jesus é avisado a pedido de Marta e Maria
· Jesus fica mais dois dias sabendo que era caso de morte (que Lázaro estava sofrendo e que as irmãs também);
· Jesus fica fora da cidade quando chega em Betânia;
· As irmãs (v. 3), o autor (v. 5) e os Judeus (v. 36) reconhecem que Jesus o ama (Jesus CHORA – v. 35)
Por que então Jesus não se apressou em socorrer seu amigo?

Qualquer indivíduo se julgando um verdadeiro amigo questionaria: que amigo é esse? Mas com Jesus é diferente. Ele está no controle de todas as coisas e, por conta disso, atua em momento oportuno. Se Jesus não atende seus amigos imediatamente não é por falta de amor ou por desconsiderar a dor alheia, mas porque Ele está atuando mesmo antes de ir ao encontro do necessitado. Sua graça já foi derramada. Seu cuidado já está preparado aguardando apenas que os propósitos de nossa dor sejam alcançados. Amigos de Jesus não estão livres de dor, todavia tem a certeza de que Ele virá e nos levará para um lugar de bençãos.

Ah! Lembre-se, “EM TODO TEMPO AME o amigo; e na angustia nasce o irmão” (Pv 17.17), mas é para amar O TEMPO TODO!